sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mombojó - Amigo do Tempo

Não conhecia Mombojó até uns meses atrás. Confesso, admito e me arrependo. Aqui, quero falar da minha experiência com eles e de Amigo do Tempo, seu disco mais recente. Não era essa a intenção, mas vou acabar falando mais deles e da minha experiência do que do próprio álbum.

Mombojó é uma daquelas bandas que trazem as características que eu costumo procurar em um artista: criatividade, flexibilidade, animação e inteligência. Esses, aliás, são motivos mais que suficientes para eu estar arrependida de não tê-los conhecido antes, já que está tão difícil de encontrar todas essas qualidades em um mesmo lugar ultimamente – mas não vamos entrar nesse mérito, pelo menos não hoje.

Nunca tive nenhuma razão especial, mas nunca tinha procurado ouvir a banda antes. Se bem que, vendo agora, é até melhor assim. Talvez, no auge dos meus 15 anos de idade, eu não entendesse tão bem tudo que eles querem passar. Aí que, esse ano, eles começaram a aparecer muito na mídia, todo mundo no mundo  falando deles e eu me sentindo perdida.

Descobri o motivo: álbum novo, depois de um bom tempo parados. Sempre me pareceu que, quando um artista lança alguma coisa depois de um tempo longo no ócio, das duas, uma: ou vai ser ótimo ou vai ser uma bosta. E, sem sombra de dúvida, Amigo do Tempo se encaixa no primeiro grupo.

Quem me indicou o álbum foi a Camis – vulgo “minha mãe”, que tem me ajudado bastante no quesito educação musical. Durante a Copa, vi um jogo do Brasil na casa dela e, após a partida, ela colocou um DVD para rolar: Nadadenovo, ao vivo no Itaú Cultural – por sinal, lugar de shows que eu adoro. Fiquei meio hipnotizada vendo aquele bando de garotos super animados cantando umas músicas incríveis, usando vários instrumentos um tanto quanto incomuns no rock brasileiro. Foi aí que a Camis percebeu que já estava mais do que na hora de eu conhecê-los também.

Ouvi uma, duas, três, quatro vezes e percebi que não conseguia tirar do repeat. Do começo ao fim, todas as músicas parecem ter alguma coisa que prende sua atenção a todos os detalhes. É, para mim, um álbum cheio de novidades bacanas. Novidades no sentido de ver tanta coisa diferente sendo usada e, mesmo assim, não parecer uma salada. É aquele disco que se encaixa em várias ocasiões; dá para ouvir sozinho, com o(a) namorado(a), com os amigos.

Quando menos se espera, você está cantando alguma música de Amigo do Tempo. É um tipo de álbum que você percebe, sabe? Um elemento diferente, como a voz digitalizada em Antimonotonia, as letras marcantes de Justamente e Triste Demais, a leveza de Praia da Solidão, o começo agradavelmente ininteligível de Casa Caiada ou a irreverência de Papapa – que, com certeza, é o clipe brasileiro mais sem noção, sensacional e divertido do ano (veja em tela cheia, porque merece!). Destaque para a animada Passarinho Colorido, que é tão boa de ouvir que nem parece ter todos esses quatro minutos, de tão rápido que passam.

Cheguei à seguinte conclusão: os fãs devem ter ficado desesperados com a demora para mais um lançamento. Mas, se o Mombojó almejava ser amigo do tempo, acredito que, para o bem de todos nós, conseguiram. E com sucesso.

* Aguardo ansiosamente por um show deles em São Paulo, LOGO!
* Dá para baixar o álbum no site deles.
* Sabia que a Camis é uma super designer? E – olha que coincidência! – ela está bem afim de fazer uns frilas! Dá uma olhada no portifólio dela.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

The Horror The Horror - Wired Boy Child

 Ok.  Confesso que estrear esse blog não é uma das missões mais fáceis. Isso porque Natalia Máximo (a dona do Cafofo) é uma pessoa que, além de gostar muito de música, tem o superpoder de me irritar ao extremo.  Então, se eu não fizesse este bendito post ela iria pesar tanto na minha que, das duas uma: ou eu fugiria para a Islândia (se bem que, com toda essa história de Eyjafjallajokull, a Islândia deve ter virado um dos lugares da moda), ou teria que alegar algo que realmente inviabilizasse minha participação, tipo... Ausência de braços... Saca?

Bom, como minhas únicas alternativas incluíam aprender um idioma que impossibilita dar um nome pronunciável a um vulcão e a perda e membros dos quais gosto muito, decidi escrever.

Iniciei, é claro, ouvindo o álbum indicado – pra quem não sabe, a ideia deste espaço colaborativo é receber uma indicação (não foi Calypso, mas poderia acontecer) ouvir o disco e escrever a respeito. Confesso que perdi algum tempo matutando sobre as possíveis regras para fazer o post, mas já que eu sou o primeiro... Sorry, será do meu jeito (Rá.).

O álbum que me coube foi o Wired Boy Child, do The Horror The Horror. Confesso que como qualquer ser humano normal, dei um Google para saber o que, exatamente, eu estava ouvindo. Além de descobrir que este era o segundo disco dos caras e que eles eram suecos, constatei duas coisas:

1 - As pessoas traduzem críticas toscas para pagarem de entendidos em fóruns, blogs e outros meios;

2 – Quando não conseguem classificar a banda de alguma maneira, essas mesmas pessoas – assim como sites “especializados” (atenção especial para as aspas) – recorrem a recursos como “misturas de fulano com beltrano”.

Meu Deus... Essa é uma coisa que me irrita muito. Nessa minha pequena busca, encontrei um trecho que dizia “Os meninos criam uma mistura que hoje é super comum, pense Television, The Modern Lovers e Velvet Underground com a cena indie do começo dos anos 90 da Inglaterra, mas com uma pitada de criatividade”. Jesus... Os caras conseguem misturar tudo isso e ainda ter criatividade?

Bom, reclamações à parte... Vamos voltar ao Wired Boy Child.

Sabe aquele disco que tem uma e, às vezes, até mais músicas em que os últimos acordes parecem ordenar (subliminarmente) que você ouça a faixa mais umas duas ou três vezes? E aquele que te arranca riffs geniais com sua master air guitar?

Bom... Definitivamente, este segundo álbum do THTH não é um desses.

Como costumo dizer, o disco é simples, mas funcional e, embora não empolgue a ponto de exigir um mosh para cada música, consegue façanhas que, atualmente, são quase tão importantes quanto as que acabei de citar: Wired Boy Child pode ser ouvido inteiro no shuffle sem medo, porque não tem surpresas desagradáveis entre suas 11 faixas. Além disso, depois da segunda passagem pelo CD, musicas como Milky White, Hold The Line e a ótima Yes (I’m Coming Out), me arranca umas balançadinhas de cabeça e até um coro desajeitado durante os refrões.

Nada fenomenal.  Nada extraordinário. Nenhum músico aparentemente virtuoso, mas e daí? Gostei do disco exatamente porque, apesar do que dizem alguns entendidos (que adorariam juntar Jackson 5 com Joy Division pra ver no que dá), os caras são despretensiosos e é isso que eu acho legal.

Charlie Brown escreve lá no Não Tava Assim e, três dias depois de sugerir o álbum para ele, o rapaz já tinha ouvido e resenhado para este blog, já que eu não tomava a vergonha na cara de estreá-lo logo. Mesmo assim, ele não deixa de ser um tapado. Ele também está no Twitter.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Como

A única regra é indicar um álbum. Não importa de quem, não importa de quando, mas precisa ser um álbum. Só uma música não vale.